OSPA

projetoFlávio Kiefer,
localizaçãoPorto Alegre/RS
Imagem do projeto

CONTEXTO

A construção do Teatro da OSPA no cais Marcílio Dias será um marco na história de Porto Alegre. Não só por ser uma obra de grande porte que vai modificar o cartão postal da cidade ou suprir uma lacuna na infraestrutura cultural, mas, principalmente, porque vai reforçar o papel da península como centro cultural e referencial da capital e, de quebra, vai servir de “finca-bandeira” no cais do porto, tornando irreversível a conquista desse espaço. A OSPA vai desencadear um processo de ordem prática que vai obrigar que todas as questões ainda indefinidas tomem rumo tendo como norte a própria realidade da construção desse grande teatro. O teatro da OSPA será, sem dúvida, o principal vetor da organização espacial da ponta da península.

CONCEITO

A inserção do Teatro da Ospa como vetor importante do Plano Diretor do Porto dos Casais, não deve modificar a solução encontrada em um concurso público de arquitetura para o conjunto. A proposta apresentada aqui pretende que a OSPA tenha ao mesmo tempo autonomia e disponibilidade de se integrar aos projetos que ainda estão para ser elaborados, mas sem prejuízo de uma personalidade própria e independente. A OSPA é muito importante para ser confundida com um simples teatro de “shopping”. Propomos uma personalidade e endereço próprios, algo como “CAIS MARCÍLIO DIAS n0 97”, definindo sua desvinculação política dos “shoppings” que lhe são contíguos. Mas, por outro lado, nosso projeto, ao abrir o próprio palco do Teatro da OSPA, na testada oeste (uma grande porta  de hangar), busca possibilidades de trocas com esses espaços ou com o próprio solo enquanto nada for construído por ali. A idéia é reforçar o vínculo que a OSPA já tem com a comunidade propiciando facilidades para realização de grandes concertos populares ao ar livre, utilizando o potencial técnico-cênico da caixa do palco.

O acesso às garagens, reservadas no futuro “shopping”, poderá ser feito por passarelas cobertas.
 

ARQUITETURA

Qualidade técnica e acústica, economia de meios, rapidez de execução e linguagem contemporânea explorando a potencialidade de materiais e técnicas ligadas a história do Rio Grande do Sul é a linha mestra do desenvolvimento desse projeto. O grês que serviu para a construção da primeira obra importante em nosso território, São Miguel, junto com o tijolo à vista, de influência uruguaia, o concreto à vista dos anos 70 e o aço que se impõe cada vez mais, são os elementos que identificam a arquitetura erudita do passado, presente e futuro do Rio Grande do Sul. Esses materiais de grande durabilidade e baixa manutenção são os adequados para a OSPA. O uso de paredes autoportantes de pedra traz a vantagem de um grande isolamento acústico e a dispensa de materiais de revestimento e, portanto, rapidez e economia. O uso do aço para a cobertura e fachadas, da mesma forma acelera e diminui custos. Além disso, consegue-se com eles, um caráter simbólico condizente com a importância dessa obra. O Teatro da OSPA vai ter, assim, peso específico suficiente para criar um vínculo com a Usina do Gasômetro. Evidentemente, não estamos propondo uma contrução tosca ou rústica, pelo contrário, a proposta é de uma arquitetura de construção bastante elaborada nos detalhes, mas não cara.

Um grande bloco de tijolo à vista, marcante no eixo da Mauá e marcado por aberturas retangulares inspiradas nas antigas partituras perfuradas das pianolas, é o elemento que cria, com seu grande vazio interno, uma atmosfera instigante, associando solenidade e monumentalidade condizente com a importância da OSPA. Esse bloco explica, articula e organiza todos os acessos e circulações, além de ser uma torre de serviços, com os sanitários, elevadores, chapelaria, informações e administração. Também estamos propondo para esta torre um serviço de venda de fotocópias de partituras de autores nacionais, um importante serviço da apoio e estímulo aos compositores, reforçando a sede da OSPA como um centro musical por excelência. Desta torre saem as passarelas que dão acesso às plateias e mezaninos, ao foyer e à sala de ensaios de visitantes transformada num pequeno auditório para entrevistas, conferências e pequenos seminários. Todos os ambientes são acessados por elevadores, facilitando o deslocamento para o público de terceira idade ( numeroso nos concertos da OSPA) e deficientes.

A torre tem ligação direta com o alinhamento do Cais Marcílio Dias, com a idéia de que, com muro ou sem muro, se faça a leitura de uma avenida que tem de um lado um teatro e de outro um hotel. Uma segunda possibilidade de acesso, possivelmente mais pedestre enquanto existir o muro, dar-se-á pela avenida João Goulart, acessando diretamente o nível da platéia baixa e da Escola de Música, permitindo um caminho diário alternativo de acesso ao cais do porto que passa pelo hall principal (usufruindo do café, inteirando-se da programação, visitando o museu, etc.) para os hóspedes do futuro hotel e transeuntes em geral.

A platéia foi dividida em setores subdivididos em dois níveis cada um: platéia baixa, platéia alta, mezanino baixo, mezanino alto, abrigando um total de 1516 pessoas, todas com visão garantida da ponta do palco. Os balcões não foram projetados para atender à lotação solicitada, mas porque criam um clima adequado a audição de concertos e óperas.

Usou-se processo gráfico para garantir que a linha de visão passe 8cm acima da linha de visão do ocupante da cadeira imediatamente à frente com o objetivo de enxergar a ponta do palco para dança e ópera. Para não variar constantemente as alturas dos degraus da platéia, optou-se por variar horizontalmente a distância entre as fileiras. A platéia baixa tem espaçamento entre poltronas de 95cm, a platéia alta e o mezanino baixo 90cm e o mezanino alto 85cm. As filas com não mais do que 14 lugares e os 4 corredores, garantem uma circulação ampla e confortável para o público. Os deficientes (2% dos lugares) possuem uma área propria, tipo tribuna, nos fundos da platéia alta. Esse espaço de grandes dimensões possibilita outros usos eventuais (corpo de jurados, tribuna de honra, fotógrafos, câmaras, etc.) A sala de autoridades se localiza junto ao foyer com acesso direto a essas tribunas.

Todas as salas destinadas a ensaios ou à prática de ensino musical foram planejadas com forma acústica favorável, evitando-se gastos desnecessários com revestimentos
para corrigir a sua forma. Propomos que duas das salas da Escola de Música funcionem como laboratório acústico e sala de gravação, permitindo a auto-escuta e outras formas de experiências musicais, além das aulas no sistema tradicional.

A polêmica em torno do famoso muro da Mauá foi resolvida pela incorporação definitiva do muro no lote da OSPA. Numa primeira etapa ele serve para proteger os equipamentos e depósitos que temem água. Quando todo o resto do muro for substituído, ele permanece no lote da OSPA, junto com uma paineira, como uma referência histórica lembrando a maneira contemporânea de projetar, que respeita o contexto e seus elementos de valor histórico.

Propomos destinar uma verba de 1% do custo da obra para a inclusão de obras de arte projetadas em conjunto com a arquitetura, como o revestimento em madeira da platéia, uma grande obra no vazio da circulação e esculturas acústicas  na praça do segundo pavimento, junto ao café e a Escola.

Flávio Kiefer

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croqui
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Flávio Kiefer
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planta baixa 1º pavimento planta baixa 2º pavimento planta baixa 4º pavimento planta baixa 5º pavimento planta baixa 6º pavimento fachada norte fachada leste fachada sul fachada oeste corte aa corte bb
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planta baixa 1º pavimento
LocalizaçãoPorto Alegre/RS
Área construída7200 m²
ProjetoFlávio Kiefer
Projeto Premiado2º lugar